POR TERRAS DE MAO

Chegaram a Macau no dia 26 de Agosto os 14 alunos portugueses do segundo ano do Curso de Tradução e Interpretação de Português-Chinês.

Este é já um dos cursos bandeira do IPL e é constituído por 4 anos, sendo o segundo e o terceiro passados na China.

Foi Isabel Nunes, responsável pelo gabinete de apoio aos alunos do Instituto Politécnico de Macau que os recebeu de braços abertos, com um jantar e uma tour de quatro dias por Macau, tempo em que também contaram com o acompanhamento da professora Graça Seco (entrevista neste número).

Bruno Cunha, 18 anos, refere que “Macau pertence á China, mas é muito diferente, pois tem muitos aspectos ocidentais. A presença portuguesa quase nem é notada; apenas nos letreiros, placas, indicações e sinalizações é possível perceber que os portugueses estiveram por cá”.

O dia dos estudantes em Macau é preenchido, segundo estes, “as aulas são mais rigorosas do que aí, temos mais trabalhos de casa, temos que estudar muito mais para irmos compreendendo o que os professores dizem, já que temos 3 aulas em que 80% de cada aula é falado em mandarim o resto em inglês e espanhol. Depois temos uma aula totalmente em português com um professor indiano, e temos outra aula de Cultura Chinesa em mandarim e em português”.

Mas nem só de aulas se faz este curso, e é na vida quotidiana que mais diferenças se fazem notar. Todos os alunos referem uma grande dificuldade em habituar-se ao clima de Macau, extremamente húmido e quente, pelo menos até agora. “A comunicação com os locais também não é muito fácil pois falam cantonês, em vez do mandarim e muito pouco inglês. O ainda se falar Português por aqui é um mito”, refere Ângela Carvalho, 19 anos.

Apesar do pouco tempo de permanência, já há peripécias a assinalar; Filipa Landeiro, 20 anos, conta que a vez em que uma barata saiu do ralo do lavatório na casa de banho da residência for muito pouco agradável e bastante traumatizante; referindo também uma vez em que foram expulsos do táxi por o taxista não ter compreendido para onde pretendiam ir, “mesmo com o mapa à frente e nós a apontarmos o sítio”.

Quando questionados sobre o porquê deste curso, os alunos dão várias razões; Filipa Landeiro refere possibilidades de viagem pela Ásia, assim como boas oportunidades de trabalho, algo que partilha com Fleur Jones e Ângela Carvalho. Para outros, como Bruno Cunha, este curso é um desafio e uma aventura de enriquecimento cultural. O que todos partilham é um grande fascínio pela cultura oriental.

No seu segundo e terceiros anos em funcionamento, o curso tem preenchido todas as vagas na primeira fase.

O Akadémicos continuará a acompanhar o percurso destes embaixadores do IPL em terras de Mao.

ESTATUTO EDITORIAL

AKADÉMICOS é um jornal de informação geral, de âmbito distrital, independente do poder político ou de qualquer outro, que cultiva a irreverência, sem desrespeitar os códigos sociais vigentes mas rejeitando a sua própria institucionalização.

AKADÉMICOS assume como a sua área geográfica de influência o distrito de Leiria, sem prejuízo de acompanhar da forma mais atenta possível o que se passa em Portugal, na União Europeia, nos países lusófonos e em todo o Mundo.

AKADÉMICOS é um jornal heterogéneo e define como os seus públicos-alvo os estudantes do ensino superior, os membros não estudantes da comunidade académica do distrito de Leiria, os candidatos a estudantes do ensino superior, as famílias dos estudantes do ensino superior, as entidades púbicas e a sociedade em geral

AKADÉMICOS define-se ainda como um projecto jornalístico permanentemente inacabado, aberto e em evolução, capaz de em todo o momento discutir e incorporar os contributos da comunidade académica e da sociedade do distrito.

AKADÉMICOS defende a aproximação dos cidadãos aos centros de poder e de saber e promove a intervenção da sociedade civil na defesa dos interesses dos estudantes e da Educação.

AKADÉMICOS desenvolve a sua actuação no sentido do apoio e fundamento dos direitos, liberdades e garantias constitucionalmente consagrados, pugnando para que esses princípios não sejam, por qualquer forma, coarctados.

AKADÉMICOS persegue a objectividade: por isso é plural no retrato da realidade da região onde se insere, do País e do Mundo, obrigando-se a dar ao leitor todas as versões relevantes dos factos.

AKADÉMICOS está a aberta a todas as opiniões, mas tem opinião sobre o que se passa na região, no País e no Mundo, no domínio do seu objecto ou qualquer outro.

AKADÉMICOS compromete-se a utilizar apenas para fins exclusivamente jornalísticos e de publicação na edição em papel e on-line todas as informações que recolhe ou que de qualquer forma lhe chegam à redacção.

AKADÉMICOS compromete-se a fazer do interesse público a sua referência e a respeitar as pessoas e a boa fé dos leitores.

AKADÉMICOS compromete-se a agir de acordo com os princípios deontológicos e a ética profissional dos jornalistas, princípios que subscreve na sua prática quotidiana.

OH NUNO, VAI LÁ, VAI!


“Com o desporto consegui melhorar as minhas capacidades física”, começou por revelar ao AKADÉMICO Nuno Maximiano, de 21 anos, atleta de natação adaptada do Bairro dos Anjos e aluno de Engenharia Informática (ESTG). A modalidade surgiu há cerca de 10 anos, como forma reabilitação do acidente que sofrera. Entretanto, surgiu o convite para começar a competir e desde então tem sido sempre a somar vitórias. Os dois títulos de campeão ibérico, nas estafetas 4x100 metros livre e 4x100 metros estilos, e o de vice-campeão ibérico nos 100 metros costas, conquistados na época 2004/05, projectaram o seu nome no panorama da natação adaptada a nível internacional. A época seguinte foi igualmente uma das melhores. Campeão nacional nos 100 metros costas – recorde nacional –, campeão nacional nos 100 metros mariposa e vice-campeão nacional nos 50 metros livres, foram os títulos que arrebatou.

“O sonho é Londres 2012, mas é difícil”, apontou, depois de ter falhado Pequim 2008, onde “para além dos mínimos temos que conseguir vagas.” A afirmação é determinada, mesmo com a recorrente falta de apoios. “Aquilo [campeonatos nacionais] está deserto. Estamos lá 30 atletas e mais nada”, lamenta, ao mesmo tempo que compara com o país vizinho. “Em Espanha, por exemplo, somos cerca de 200 atletas e inclusivamente temos pessoas que nos ajudam quando saímos da piscina, algo que cá não acontece.” As críticas de Nuno Maximiano vão mais longe e, para além dos parcos apoios económicos, há ainda os mediáticos. “Houve um Campeonato da Europa em que trouxemos vinte e tal medalhas e nem um jornalista vimos no aeroporto quando chegamos! Se fosse futebol, estaria cheio”, recordou.

JEFF BUCKLEY DA BAJOUCA

Fez-se à estrada, em 2002, numa Weelchair. Eram os primeiros metros. A rebeldia dos Nirvana, a melodia dos Pearl Jam e a melancolia de Jeff Buckley, foram o mote para dois anos de viagem. Em 2004, foi a vez de trocar de veículo, este, mais amigo de ambiente. Os covers foram a chave na ignição de um motor que, a cada metro de estrada, se foi tornando mais exigente. Rapidamente passaram aos originais e, em 2007, o lançamento do EP “Question Mark” marca o desvio dos Kyoto para a auto-estrada, na qual permanecem. Ao volante, as mesmas mãos, cada vez mais seguras. Já em 2008, e em simultâneo, os Ti Maria são o pretexto para juntar família e amigo(s) de longa data, num veiculo movido a um combustível mais eléctrico.

Nuno, Jerónimo ou até ambos, poderá soar a oco. Já “Rancho” é mais melodioso. Uma viagem tranquila, por sonoridades que passam ainda por Andrew Bird, Radiohead, Rufus Wainwright ou Damien Rice. Independentemente dos estilos, a mesma consistência, de uma voz harmoniosa e melódica. “Unready Demo”, para tirar as teimas.

"CAÇADOR" DE NOTÍCIAS

Fotografia não é jornalismo, mas fotojornalismo é. Confuso(a)? O AKA também, por isso, fizemo-nos à estrada em busca de quem percebesse do assunto.

Gonçalo Lobo Pinheiro é um apaixonado pelo fotojornalismo, motivou que o levou a criar o primeiro espaço, "made in Portugal", na Internet. No Fotojornalismos, reúne o que de melhor se faz aquém e além fronteiras.

Existem algumas "teorias" que distinguem fotógrafo de fotojornalista. Para ti, o que é ser jornalista, utilizando como ferramenta a imagem?
Eu sou contra "teorias". O fotojornalista no sentido mais lato da palavra será sempre um fotógrafo. Não entro por "guerras" que alimentem o contrário, sabendo que muitos profissionais do fotojornalismo vêem as coisas por outro prisma.

Para mim, ser fotojornalista, é poder ter o privilégio de mostrar ao Mundo a minha visão de um dado acontecimento. É estar no sítio certo e à hora certa para captar a imagem que quero que os outros vejam.

Uma boa imagem tem sempre a força suficiente para agarrar o público e é por aí que trilho o meu caminho.

Que análise e perspectivas para o fotojornalismo em Portugal?
O problema do fotojornalismo em Portugal, contrariamente ao que se passa um pouco pelo Mundo fora, é o facto de em Portugal não se dar o verdadeiro valor ao "ser" fotojornalista.

Um fotojornalista em Portugal não consegue mostrar ou provar o seu valor. Os empregos são precários, não há oportunidades. Os grandes grupos económicos que gerem a imprensa escrita escolhem muitas vezes os fotojornalistas como o elo mais fraco da redacção. E, mais tarde ou mais cedo, vão com certeza arrepender-se disso.

Dá-se sempre mais valor ao jornalista redactor do que ao jornalista fotógrafo. Tudo em nome da contenção de despesas. No meu entender, uma opção errada.

Hoje em dia, os redactores, mesmo que com dificuldades, conseguem entrar nos quadros de um jornal ou revista. Os fotojornalistas vão em sentido oposto. Cada vez mais são colaboradores ou conseguem um vínculo precário.

Porquê um espaço na World Wide Web?
O blog Fotojornalismos foi criado em 2004 com o intuito de ocupar um espaço vazio na internet. Escolhi a blogosfera para falar de fotojornalismo. Mostrar o meu e o fotojornalismo dos outros, daí a escolha pelo nome no plural.

É um projecto que quero continue a crescer e se torne cada vez mais num espaço de discussão pelos intervenientes da classe.

Do teu percurso profissional, qual o registo que congrega tudo aquilo que deve ser uma fotografia para publicação num órgão de comunicação social (no fundo, do teu portefólio, qual é "a foto")?
Bem, não gosto muito de falar acerca do meu trabalho dessa forma como me perguntas. Eu não tenho a "foto". Isso é algo que, em mim, está sempre em constante mutação. Procuro a "foto" em todos os trabalhos que faço de modo a conseguir concentrar-me e ser sempre profissional. Amo o que faço e como tal tenho de estar sempre alerta.

Agora posso adiantar-te que tenho um carinho especial por alguns dos meus trabalhos, como a reportagem fotográfica que fiz no Incêndio na Serra de Sintra em 2007 e com a qual fui agraciado com uma Menção Honrosa na Categoria de Reportagem Noticiosa no 8º Prémio Fotojornalismo Visão/BES.

Gostei também de fotografar a 69ª Volta a Portugal em Bicicleta, a Taça da Europa em Atletismo 2007 em Milão e uma entrevista a Simone de Oliveira este ano. Podia estar a falar de mais um ou dois trabalhos mas destaco estes.

O REGRESSO DE KIDMAN

Baz Luhrmann só dirigiu três filmes na sua carreira, mas dois deles levantaram defensores e críticos apaixonados. Estão no seu arquivo pessoal a direcção da versão moderna de Romeu e Julieta (com DiCaprio e Claire Danes) e Moulin Rouge. O director tinha o sonho de fazer um épico como os de antigamente, centrando a história na sua terra natal, a Austrália.

O filme traz Nicole Kidman no papel de uma aristocrata inglesa que herda um fragmento de terra enorme e vê sua propriedade ser alvo da cobiça de outros latifundiários da região. Para proteger sua terra ela irá unir forças com um vaqueiro (interpretado por Hugh Jackman) que se tornará seu par romântico.

“Austrália”, em exibição no Teatro José Lúcio da Silva, de 2 a 7 de Janeiro.